Pular para o conteúdo
Rizzygo Ako
Voltar para o tópico Segurança digital básica

Segurança digital no dia a dia

Os hábitos que protegem suas contas hoje e que o mercado espera de quem trabalha em TI: senhas únicas, passkeys, verificação em duas etapas, olho vivo para golpes e cuidado com segredos no código.

Cerca de 1 horaCelular e computadorMaterial gratuito em português

1. Por que começar por você

Quem trabalha em TI tem acesso a sistemas, servidores e dados de outras pessoas. Se a sua conta pessoal cai, o atacante pode chegar ao seu e-mail de trabalho, ao seu GitHub ou à nuvem da empresa. Muitos ataques grandes começaram assim: uma senha repetida, um link falso, uma chave esquecida num repositório.

A boa notícia é que poucos hábitos bloqueiam a maior parte dos ataques comuns. Esta lição passa por eles na ordem em que vale a pena aplicar.

2. Senhas: uma por serviço, num gerenciador

Mais comum do que a senha fraca é a senha repetida. Quando um site vaza, criminosos testam o mesmo e-mail e senha em outros serviços, de forma automática. Se você repete, uma senha vazada abre várias contas.

A solução prática é um gerenciador de senhas: um aplicativo que cria e guarda uma senha forte e diferente para cada site. Você só precisa lembrar de uma, a senha mestra.

Para saber se seu e-mail apareceu em vazamentos conhecidos, consulte o site Have I Been Pwned.

3. Passkeys: login sem senha

As passkeys (chaves de acesso) substituem a senha por uma chave criptográfica guardada no seu celular, computador ou gerenciador de senhas. Para entrar, você confirma com a digital, o rosto ou o PIN do aparelho.

Google, Apple, Microsoft, GitHub e vários outros serviços já aceitam passkeys. Procure por "passkey" ou "chave de acesso" nas configurações de segurança da conta.

4. Verificação em duas etapas

A verificação em duas etapas (2FA) pede algo além da senha. Mesmo que alguém descubra sua senha, não entra sem o segundo fator. Do mais fraco ao mais forte:

TipoComo funcionaCuidado
SMSCódigo por mensagem de textoMelhor que nada, mas pode ser desviado num golpe de troca de chip
Aplicativo autenticadorCódigo que muda a cada 30 segundos, como no Google Authenticator, Microsoft Authenticator ou 2FASAtive o backup do aplicativo para não perder os códigos se trocar de celular
Passkey ou chave físicaConfirmação no aparelho ou numa chave USB, como a YubiKeyA opção mais resistente a phishing
Guarde os códigos de recuperaçãoAo ativar a 2FA, o serviço mostra códigos de recuperação. Guarde no gerenciador de senhas ou impressos em lugar seguro. Sem eles, perder o celular pode significar perder a conta.

5. Golpes e phishing

Phishing é a mensagem falsa que tenta fazer você clicar num link, baixar um arquivo ou passar dados. Chega por e-mail, SMS, WhatsApp, ligação ou rede social. Os sinais mais comuns:

Como se proteger:

Golpes com voz e vídeo falsos, feitos com IA, já existem. Combine uma palavra-chave com a família para confirmar pedidos urgentes.

Faça agoraAbra sua caixa de spam e escolha uma mensagem suspeita. Sem clicar em nada, liste os sinais de golpe que ela tem.

6. Atualizações e backup

Atualizações corrigem falhas de segurança que já são conhecidas, inclusive pelos atacantes. Deixe as atualizações automáticas ligadas no sistema, no navegador e nos aplicativos. Aparelhos que não recebem mais atualizações, como celulares muito antigos, ficam cada vez mais expostos.

O backup protege contra o que a prevenção não segura: o ransomware (programa que sequestra seus arquivos), o celular roubado, o disco que pifa. Uma regra simples e muito usada é a 3-2-1:

Teste a restauração de vez em quando: backup que nunca foi restaurado é só uma esperança.

7. Wi-Fi público e redes

8. Para quem trabalha em TI: segredos e acessos

Ao começar a programar e a usar a nuvem, você passa a lidar com segredos: senhas de banco de dados, chaves de API, tokens de acesso. Eles exigem cuidados próprios:

Antes de rodar git add .
  1. O que muda: todos os arquivos da pasta entram no próximo commit, inclusive um .env que não esteja no .gitignore.
  2. Como desfazer: antes do commit, git restore --staged arquivo tira o arquivo da lista.
  3. Como saber que deu certo: rode git status e confira se só os arquivos certos aparecem em verde.

9. Se algo vazar, o que fazer

  1. Troque a senha ou revogue a chave na hora. Não espere confirmar se alguém usou.
  2. Encerre as sessões abertas. A maioria dos serviços tem a opção "sair de todos os dispositivos".
  3. Confira a atividade recente da conta: logins, e-mails enviados, regras de encaminhamento criadas.
  4. Avise quem precisa saber. No trabalho, o time de segurança ou a liderança. Avisar rápido é sempre melhor do que esconder.
  5. Golpe financeiro: fale com o banco imediatamente. No caso de PIX, peça o uso do Mecanismo Especial de Devolução (MED) e registre um boletim de ocorrência.

10. Missão final

1. Proteja seu e-mail principal

Troque a senha por uma única e forte, guardada num gerenciador. Ative a 2FA com aplicativo autenticador ou passkey e guarde os códigos de recuperação.

2. Faça o mesmo no GitHub

Em Settings, Password and authentication, ative a autenticação em duas etapas e cadastre uma passkey.

3. Crie um .gitignore que protege segredos
printf '\n.env\n*.pem\n*.key\n' >> .gitignore

Rode dentro da pasta de um projeto com Git (no Windows, use o Git Bash, que vem com o Git). O >> acrescenta as linhas ao fim do arquivo sem apagar o que já existe. O \n do começo pula uma linha, para a primeira regra não grudar na última linha que já estava no arquivo.

Para fixarExplique para alguém da sua família como reconhecer um golpe por mensagem e por que senha repetida é perigosa. Depois, marque no tópico que você ensinou alguém.

Lição escrita em português pela Iniciativa Ako, da Rizzygo, com base nos fascículos da Cartilha de Segurança para Internet do CERT.br, nas orientações sobre passkeys da FIDO Alliance (em inglês) e na documentação do secret scanning do GitHub. O texto e os exemplos são próprios.

Conteúdo aberto sob a licença CC BY 4.0. Viu um erro? Abra uma issue.